Gravura. Vamos aprender o que é e como usar na fixação de conteúdos?

Gravura "Os pássaros" de J. Borges

O que é gravura?

É a arte ou técnica de gravar. Trabalho feito por gravador. Imagem, estampa. Para ser gravura tem que ter relevo. A gravura pode ser comercial (reprodução) e artística (linguagem). 

Gravura não é uma figura qualquer que você acha em uma revista, um desenho ou ilustração, e por ser uma técnica específica, seus resultados finais também serão o que os conceituará. 

Para fazê-las é necessário material específico, no entanto como atividade de fixação para conteúdos em sala de aula, podemos nos utilizar de materiais substitutivos que possibilitam um efeito semelhante e uma experiência bem agradável.

Vou te apresentar agora um breve resumo sobre os tipos de gravura e através de explicações e  imagens  você terá noção de como isso acontece. Irei me deter em duas, pois conseguimos materiais substitutivos com facilidade.

XILOGRAVURA

É a arte de gravar em madeira. Impressão em relevo. Veja na imagem abaixo. Aqui o artista tem um pedaço de madeira sendo marcado por uma ponta aguda e de metal. Há profissionais que usam as goivas, pregos e tantas outras ferramentas ou objetos que sejam cortantes o suficiente para desenhar  seu projeto artístico na madeira.

Depois de totalmente desenhado (sulcado), essa base será pintada com um rolo e uma tinta específica para xilogravura. A partir de então, uma folha é sobreposta a essa tinta e passada sob uma prensa. Depois de o papel ser cuidadosamente retirado, apresentará uma linda gravura. 

Em substituição à madeira, podemos usar o linólio (placas de vulcapiso), borrachas, eucatex, compensado, MDF etc. A tinta a ser usada deve ser a serigráfica com adição de carbonato de cálcio (para dar consistência mais grossa). 

Madeira sendo desenhada com pirógrafo
Madeira sendo sulcada por pirógrafo de ponta 


Goivas para xilogravura
Goivas (pontas cortantes e de diferentes formatos) para entalhar madeira


Pregos de tamanhos diferrentes
Pregos de tamanhos diferentes que podem ser usados na xilogravura


Rolinhos para xilogravura
Rolos para espalhar a tinta sobre a madeira

Rolinho para xilogravura espalhando a tinta em superfície
Artista Luis Natividade espalhando a tinta sobre sua gravura

Tinta para xilogravura
Uma das muitas marcas de tinta para xilogravura

Artista plástico Fernando Vilela colocando na prensa seu entalhe sobre madeira
Artista plástico Fernando Vilela colocando seu trabalho sob a prensa

Artista plástico Fernando Vilela retirando a folha de sobre a madeira
Depois de prensada temos a imagem no papel - Artista Fernando Vilela

Como podemos notar, o processo original de fazer uma gravura é bastante trabalhoso e requer  bastante atenção, já que se utiliza materiais cortantes. E é certo que não temos como usar esses materiais em sala de aula com  crianças e adolescentes. Por isso, para que tenham uma experiência desse processo, adaptamos os materiais, utilizando folhas de acetato-vinilo de etileno (EVA) ou bandejas de isopor.

Assim, o processo é basteante simples. Basta a criança, com um lápis ou caneta, desenhar sobre um desses tipos de material, passar a tinta guache sobre a peça com um rolinho de tinta escolar ou de artesanato e unir a folha ao trabalho, fazendo a aderência com as próprias mãos ou com a ajuda de uma espátula ou utensílio de cozinha que possibilite pressionar o papel sobre o EVA ou isopor.

É muito simples! Seja qual for a temática que você queira trabalhar com suas crianças ou adolescentes, esse exercício de fixação do conteúdo aprendido será bastante gratificante e empolgante para elas. Mas, evite moldes. Permita que seus alunos desenhem o que e como sabem fazer. Ah, e uma observação, nomes ou frases devem ser escritos de trás para frente, caso contrário, quando impresso, não será possível a leitura.

Vou te mostrar alguns trabalhos feitos por minhas alunas na oficina de gravura na Igreja Batista de Parque Alian, São João de Meriti, Rio de Janeiro.


Célia Pereira com sua gravura feita sobre EVA
Gravura feita em EVA por Célia Pereira

Beatriz Rodrigues no seu processo de criação. Gravura em EVA e isopor
Beatriz Rodrigues em seu processo de criação. Gravura sobre EVA e isopor

Larissa Florêncio com sua gravura feita sobre isopor
Larissa Florêncio com sua gravura feita sobre isopor

GRAVURA EM METAL

É a arte de gravar em metal (vários) utilizando o ataque direto (ponta seca) ou indireto, usando ácidos e vernizes como o asfalto e a cera de abelha -  Depois do metal riscado se joga o ácido que irá corroer somente no risco. A cera protegerá o restante (isto é  chamado de água forte). 

Riscos sobre metal
Ranhuras sobre metal

Gravura em metal com água forte
Processo de ranhura em metal utilizando a água forte

Gravura sobre folha de ouro
Gravura feita sobre ouro

Como substitutivo ao metal, nesse caso usaremos a parte interna de caixas de leite ou de suco que levem uma camada de alumínio por dentro, aliás como é o padrão de fábrica. O processo é o mesmo dito acima, porém o que muda é o material alternativo aos metais, que tende a ser mais duro e rígido para fazer a marcação do desenho na caixa Tetra Pak. Seu aluno precisará de um pouco mais de esforço. Quando o desenho estiver pronto, a tinta deve ser aplicada também com um rolinho ou com um paninho em movimentos circulares, mas com um pouco mais de agilidade; a tinta secará muito rapidamente pela textura do material. Então o processo segue como o com a EVA ou o isopor, mas precisando aderir ainda mais papel com tinta, para que a impressão dê certo.

Tesoura recortando embalagem de leite
Com a embalagem limpa, ela deve ser aberta com uma tesoura e depois receber o desenho 

Homem espalhando tinta com pano sobre gravura em Tetra Pak
Espalhando a tinta com pano

Uma gravura feita por uma criança em caixa de Tetra Pak
Resultado final de uma gravura sulcada e entintada em caixa Tetra Pak 

Bem, em gravura ainda temos o tipo Litografia, que é a arte de gravar em pedras e a serigrafia, que é a arte de estampar originalmente usando a seda, hoje substituída pelo nylon. No entanto, ambas são técnicas mais difíceis de arrumar substitutivos para a sala de aula, por isso não me aprofundarei nelas, deixando-as para os técnicos de plantão.

Com nossas crianças, facilmente podemos por em prática as técnicas não originais, mas que se assemelham, possibilitando aos alunos soltarem a imaginação e ter surpresas bem agradáveis com o resultado final de seus projetos.

Por Zuleika Alves Fontes Estarneck

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

  • Enciclopédia e dicionário Delta Koogan Houaiss Digital
  • Catálogo: Gravadores cariocas - Marcelo Frazão (org). SESC, RJ.
  • Catálogo: Xilogravura: do cordel à galeria. Paraíba: Fundação cultural da Paraíba, 1993.
  • Catálogo - 13ª Xylon - Trienal de gravura suíça - 1999/2001.
  • Hayler, S. W. News way of gravure. New York: Routledge & Kegan Paul Limited, 1949.
  • Leite, José Roberto Teixeira. Gravura contemporânea. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 1965.
  • Ross, John e Romano, Clare. The complete Printmaker. New York: The Free Press, 1972.
  • SILVA, Oswaldo. Gravuras e gravadores em madeira. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1941.
  • XAVIER, Dorotte. La litographie. Paris: Dessin et Tolra, 1984.
 









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